
Neste artigo, as autoras Eliane Peres e Simone Menezes Karam exploram a correspondência privada enviada por Moema Toscano a Ruth Menezes Karam (mãe de Simone). São 3 cartas e 14 cartões trocados entre as amigas, que se conheceram 1948, quando estudaram juntas no Rio de Janeiro. Quando Ruth retornou a Bagé, as amigas trocaram correspondência durante seis décadas, falando da família, de viagens e, mais tarde, de saúde e de envelhecimento.
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Em Caminho de Casa a autora narra, em prosa e verso, suas vivências, impressões e memórias sobre a infância, a família e a profissão. Como escreve Maristela Machado no prefácio:
"Mesmo que os espaços balizem experiências, são as pessoas que seduzem o olhar da autora. O diálogo em discurso direto ou indireto domina sua escrita de si. São conversas prosaicas, densas, imaginadas, consultas médicas, todas pontuadas pela vivacidade curiosa, o afeto e a sensibilidade social. E volto à enumeração para dar conta da multiplicidade de atores que habitam os quadros que se sucedem em sua memória. A família (uma riqueza) e pacientes, médicos inspiradores, companheiros de meninice, amigos, cobradores de ônibus, motoristas dos cabs americanos, o peão da estância, o primeiro namorado, o médico da família, a doceira dos bolos de aniversário, verdadeira galeria de tipos humanos.
Ao longo de uma cronologia maleável, Simone se revela através de identidades plurais (aí vai mais uma enumeração) – filha temporã, esposa, médica, mãe, menina do campo, mulher urbana – insuficientes para defini-la. Sua apropriação desses papéis tem em comum um movimento constante em busca do sentido das coisas e da alteridade. Movimento que torna notável uma vida “comum”, como ela define."